Terça-feira, 20 de Abril de 2010

(Fotograma de Lost in Translation (2003), filme de Sophia Coppola)

 

Nem são momentos, mas sim fragmentos de momentos, pequenos instantes nos quais me apetece mudar tudo. Passa num ápice, e pouco tempo depois já nem me lembro de nisso ter pensado. Mas naquele instante sinto uma tremenda vontade de atirar tudo ao ar, de bater com a porta, de arriscar. Depois passou, como se nada fosse, como se nunca tivesse acontecido.



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Segunda-feira, 19 de Abril de 2010

(Fotograma de Jackie Brown (1997), filme de Quentin Tarantino)

 

Entendo o amor como um sentimento egoísta. Nós não estamos com alguém porque essa pessoa nos ama e precisa de nós, mas sim porque nós a amamos e precisamos dela. O altruísmo, a existir altruísmo genuíno, tem os seus limites. Mas também o egoísmo os tem. Ou devia ter, pelo menos. Não consigo compreender a tua incapacidade de ficares feliz por mim, que me parece derivar da tua óbvia falta de interesse em mim. Essa é a verdade: de mim, apenas te interessa aquilo que, de forma mais ou menos directa, te possa dizer respeito. Tudo o resto é lixo: não interessa, não merece sequer a tua atenção. É para ti irrelevante os meus planos falharem. Nem o mencionas; ignoras, como se nada fosse, porque beneficias dessa falha. Mostras o que de pior há em ti quando eu os refaço. Eu sei que tu não gostas disso. Mas um de nós irá ceder. E desta vez não serei eu.



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Domingo, 18 de Abril de 2010

(Fotograma de Unfaithful (2002), filme de Adrian Lyne)

 

Há muitos meses, M. disse-me que tinha traído S.. Sabia que a relação deles estava em erosão acelerada, pelo que a notícia não me surpreendeu. O acto de traição repetiu-se uma e outra vez. Tornou-se num "caso". Hoje, M. tem uma vida dupla: vive com S., enquanto fode com outra pessoa. A traição eu sou capaz de compreender. O "caso" é outra história. Talvez por saber que, por falta de jeito para mentir ou por excesso de consciência, não seria capaz de manter um por mais de uma semana. A verdade é que não consigo compreender o que leva alguém a construir a sua vida de uma determinada forma - numa relação - enquanto alimenta alegrmente o monstro que, inevitavelmente, irá destruir tudo. Percebo a necessidade de recorrer à mentira para viver. Não compreendo a necessidade, ou a vontade, de viver uma mentira.



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Sábado, 17 de Abril de 2010

(Fotograma de Sin City (2005), filme de Frank Miller e Robert Rodriguez)

 

Há pessoas que estão juntas no momento errado. Nós estamos juntos pelos motivos errados. Quando tudo o resto se desmoronou, procurámos sustentar aquilo que restava, o pouco que restava de nós, na única coisa que verdadeiramente temos em comum. Ou, dito de outra forma: eu cedi a todas as tuas pequenas vontades. Isso resultou, mas apenas aparentemente. E apenas temporariamente, que é o prazo de todas as aparências. Agora é esperar que o resto caia por si.



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Sexta-feira, 16 de Abril de 2010

(Fotograma de Matrix (1999), filme de Larry e de Andy Wachowsky)

 

Admiro as pessoas que dizem, a quem as quiser ouvir, não sentir quaisquer remorsos ou qualquer arrependimento pelos erros que cometeram. Invejo-as: não pela sua aparente falta de consciência, mas pela sua enorme capacidade de criarem as suas próprias ilusões, e de acreditarem nelas piamente. Mas em muitos casos, na maioria mesmo, tudo isto é aparência; na verdade, só essas pessoas sabem o que lhes invade a mente quando apagam a luz à noite.



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Quinta-feira, 15 de Abril de 2010

(Fotograma de Sylvia (2003), filme de Christine Jeffs)

 

Não deixa de ser irónico: sempre gostei de escrever, sempre gostei de mostrar aos meus amigos aquilo que ia escrevendo, e sempre me ressenti, secretamente, por o seu pouco interesse. E quando por fim escrevo algo realmente bom e completo, não lhes posso mostrar, nem sequer o mencionarei. Não existirá, para todos os efeitos. No fundo, está certo: há coisas que não são para partilhar com quem nos é próximo, mas com estranhos.



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Quarta-feira, 14 de Abril de 2010

(Fotograma de Candy (2006), filme de Neil Armfield)

 

Só quando descemos às profundezas da loucura é que conseguimos provar (até a nós mesmos) o quanto amamos alguém. Mas quando nos vemos obrigados a descer a essa profundidade, já é demasiado tarde para o amor.



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Terça-feira, 13 de Abril de 2010

(Fotograma de Eyes Wide Shut (1999), filme de Stanley Kubrick)

 

Há coisas que nunca mudam. A nossa natureza, por exemplo. Pode mudar aparentemente, à superfície. Mas isso nunca dura muito tempo; mais cedo ou mais tarde, todos deixamos cair a máscara e mostramos quem verdadeiramente somos.



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Segunda-feira, 12 de Abril de 2010

(Fotografia de Boris van Hoytema)

 

É mais forte do que eu. Mas jamais me sentiria confortável num lugar ao qual sei que não me conseguiria integrar. S. convidou-me. Festa. Nunca irei compreender o que leva S. a convidar-me para o tipo de festas de que S. gosta, pois sabe que não fazem de todo o meu género. Procurei uma forma delicada de recusar. Não a encontrei, mas recusei na mesma. No fundo, S. nunca vai compreender porque recuso sempre. Pertencemos a mundos diferentes, e o de S. é-me completamente estranho, inóspito, desagradável mesmo. O que poderia explicar muita coisa, assim houvesse vontade de as compreender.



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Domingo, 11 de Abril de 2010

(Fotograma de Control (2007), filme de Anton Corbijn)

 

Para além de ser uma boa desculpa pessoal, a traição, para quem é traído, é também uma excelente desculpa social. É certo que existe sempre uma certa dose de vergonha, pois ninguém, afinal, gosta de admitir que a sua cara-metade cometeu adultério. Que, por outras palavras, foi enganado. No entanto, admiti-lo evoca compaixão; e para com a pessoa que traiu, suscita um julgamento social sumaríssimo: traiu, não pode ser boa pessoa. Não é de confiança. Tudo o resto deixa de importar perante tão grave pecado. É uma pena que, longe desta superfície social, as coisas não sejam assim tão simples.



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