Sábado, 10 de Abril de 2010

(Fotograma de Gran Torino (2008), filme de Clint Eastwood)

 

Sentamo-nos no escuro e aguardamos. Por um momento certo, dizemos a nós mesmos. Tendemos a acreditar que existe momentos melhores que outros para tomarmos algumas decisões e atitudes, mas essa é uma premissa errada. O que tem de ser feito não tem um momento: tem de ser feito. Ponto. Esperar pela altura certa só vai tornar mais evidente, no momento em que tomamos a atitude ou a decisão, que o nosso "timing" foi o pior possível.



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Sexta-feira, 9 de Abril de 2010

(Fotograma de American Beauty (1999), filme de Sam Mendes)

 

A verdade é que todos temos os nossos segredos, segredos que permanecem inconfessados durante anos a fio. Quando não durante toda uma vida. Se é normal que seja assim? Diria que sim. Há coisas que temos dificuldade em assumir para connosco mesmos, que nem ponderamos contar a quem quer que seja - nem ao nosso melhor amigo, nem à pessoa que amamos. Há coisas que se passam dentro de nós que, a saberem, provocariam demasiados estragos, na nossa vida e até mesmo em vidas de outros. Por muito que queiramos recusar a ideia, aquilo que os outros pensam de nós tem sempre um peso tremendo. Há coisas que simplesmente não podem ser ditas. Ou então tudo isto está errado e, na verdade, aquilo de que estou a falar é de falta de coragem para enfrentar o mundo e assumir as consequências desse acto. O que também é possível.



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Quinta-feira, 8 de Abril de 2010

(Fotograma de Bones (2005-2010), série de Hart Hanson)

 

Não resistiríamos um ao outro se quebrássemos a barreira física. Não sei se isto se deve ao facto de ainda nos amarmos. Prefiro pensar que não. A verdade é que estivemos muito tempo juntos, numa relação extraordinária nos bons momentos, e péssima nos maus momentos. No final, o mau submergiu o bom, com muito cansaço à mistura. Mas ficou a química, como disse E. quando nos viu juntos naquela tarde. Nunca tinha pensado nisto antes de E. o dizer, mas tem toda a razão. Existe ainda uma enorme química entre nós, uma intimidade que resultou de alguns momentos de relacionamento perfeito. Isto nunca irá desaparecer: nós fomos a pessoa certa um para o outro, mas no momento errado. Por isso mantemos a barreira física. Porque jamais um momento poderá vir a ser o momento certo entre nós, mas algo nos impele um para o outro. Para usar uma imagem óbvia e gasta: como dois pólos opostos de íman.



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Quarta-feira, 7 de Abril de 2010

(Fotograma de Death Proof (2007), de Quentin Tarantino)

 

Tenho uma habilidade invulgar para encontrar sarilhos. Não importa como. Sei que o caminho que escolho, seja ele qual for, seja que companhia eu escolha: mais cedo ou mais tarde dou por mim num beco sem saída, num sítio que me encurralará. E onde não posso ficar: resta-me improvisar uma fuga, que normalmente também não resulta (ou origina sarilhos ainda maiores),ou engolir em seco, enfrentar o problema, e fazer o que tiver que ser feito. Normalmente demoro mais tempo do que devia a tomar a segunda opção.



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Terça-feira, 6 de Abril de 2010

(Fotografia de autor desconhecido)

 

Em conversa casual com T., ouço a ideia de que eu não sei lidar com a solidão. Falávamos das mudanças que as tecnologias trouxeram em termos de socialização às relações humanas, e T. achou que a minha constante "presença online" se devia a isso mesmo, a um medo de estar em casa quando mais ninguém lá está. Nada mais errado. Não receio a solidão; a falta de companhia entedia-me por vezes, mergulha-me em melancolia. Mas apenas isso. Não temo a solidão, não a posso temer: ela é a única coisa constante que tenho.



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Segunda-feira, 5 de Abril de 2010

(Fotograma de Det Sjinde Inseglet (1957), filme de Ingmar Bergman)

 

A nossa vida é como um jogo de xadrez. Aquilo que procuramos não é viver pacificamente um com o outro - é, sim, colocar o outro "em cheque". Jogamos para uma derrota dupla, e suspeitamo-lo. Ambos já cometemos erros que nos poderiam ter custado o jogo. E continuamos. Eu já fiz a minha jogada. Aguardo a tua.



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Domingo, 4 de Abril de 2010

(Imagem de autor desconhecido)

 

Costuma dizer-se que a traição é o supremo pecado numa relação amorosa. Nada mais errado. Sendo grave, sim, a traição é muito mais do que isso: é a desculpa perfeita para ambos quando uma relação tem de terminar. Quem traiu lança a bomba, justificando-a da forma que bem entender (ou não a justificando). Quem é traído tem a desculpa perfeita. O acto é tão reprovado socialmente, que serve para ocultar todos os pequenos erros e todas as mínimas faltas cometidas. Enfim, esconde todas as gotas de água que, lenta mas inexoravelmente, encheram e fizeram transbordar o copo. O tempo, normalmente, encarrega-se de destruir esta tese, mas durante os primeiros meses ela serve. E é nesses meses que as feridas doem mais.



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Sábado, 3 de Abril de 2010

(Fotograma de Mad Men (2007-2010), série de Matthew Weiner)

 

Há momentos em que o espelho nos mostra quem nós verdadeiramente somos. Mas na maior parte do tempo, vemos na sua superfície aquilo que queremos ver. Como se não olhássemos para o nosso próprio reflexo, mas para algo que está para além dele, como se o nitrato de prata encostado ao vidro pudesse conter outro mundo que não o nosso. Mas por vezes, o que queremos ver para lá do espelho desvanece-se. E ficamos sozinhos com o nosso reflexo.



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Sexta-feira, 2 de Abril de 2010

(Fotografia de autor desconhecido)

 

Quando algo corre mal, normalmente uma relação, costumamos dizer, com falsa determinação, "querer esquecer". É um exercício fútil. Nunca esquecemos. O que pode mudar, e o que eventualmente mudará, são os sentimentos que as memórias desse tempo despertam. Se quando tudo estava bem (se é que alguma vez alguma coisa está bem) o sentimento dominante era o amor, quando tudo acaba o sentimento dominante passa a ser o ódio, ou pelo menos a raiva. Mas isso não é definitivo. Um dia as más memórias podem tornar-se boas. Mas memórias é justamente o que elas nunca deixam de ser. De resto, só poderíamos querer esquecer algo que nos marcou. E o que nos marcou, o que nos marca, não se esquece.



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Quinta-feira, 1 de Abril de 2010

(Fotograma de Closer (2005), filme de Mike Nichols)

 

Acontece raramente, mas entre nós isso proporcionou-se: eu e a última pessoa com quem mantive uma relação amorosa permanecemos amigos. Com bastante proximidade, até. Falamos regularmente, tanto sobre coisas banais como sobre problemas pessoais - mesmo aqueles que envolvem o tema, à partida mais sensível, dos novos "casos". Saímos por vezes, almoçamos juntos, tomamos um café ao final da tarde, vamos ao cinema, saímos à noite para um copo e dois dedos de conversa. Mas esta proximidade não é absoluta, e há um domínio onde o nosso relacionamento tende a ser frio e, por vezes, até formal: no toque. Cumprimentamo-nos normalmente, mas por norma não existe proximidade física. Houve numa única ocasião - e devo confessar que foi estranho, muito estranho. É natural que assim seja. Apesar de já ter passado tanto tempo, de tantas coisas terem acontecido entretanto, e de as nossas vidas estarem substancialmente diferentes, ambos sabemos que nenhum de nós resistirá ao outro se quebrarmos a barreira física.

 

(continua)



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