Segunda-feira, 31 de Maio de 2010

(Fotografia de autor desconhecido)

 

Há pessoas que entram na nossa vida de surpresa, da forma mais inesperada. Foste um desses casos - a coincidência levou-te a abrir a porta e a entrar. Enquanto dela fizeste parte, gostei muito da companhia. Mais do que esperava vir a gostar. Não sei se algum dia percebeste, ou sequer suspeitaste a dimensão dos meus sentimentos por ti. Nunca te disse nada nesse sentido; sabia que o sentimento não era recíproco. E sabia que, a prazo, acabarias por sair da minha vida da mesma forma que nela tinhas entrado. Não me enganei em nenhum daqueles pensamentos, ainda que a forma que a saída tomou tenha sido algo inesperada. Hoje, por motivo nenhum em particular, lembrei-me de ti. Pensei em dizer-te algo. Um simples "olá". Não o fiz. Duvido que o volte a fazer. Há coisas que têm forçosamente de ser esquecidas. E entre eu e tu existe um oceano inteiro.



publicado por r. às 09:02 | ligação | comentar

Domingo, 30 de Maio de 2010

(Fotograma de An Education (2009), filme de Lone Sherfig)

 

No fundo, tanto eu como tu sabemos as respostas a todas as perguntas que nos colocamos. Temos é medo de as ouvir, de que alguém nos diga aquilo que não queremos enfrentar. Como um miúdo na escola, com medo de falhar a resposta.



publicado por r. às 09:40 | ligação | comentar

Sábado, 29 de Maio de 2010

(Fotografia de Ömür Yılmaz, em deviant art. Todos os direitos reservados)

 

Que tudo se desvanece com o tempo, já eu sabia. Mas não deixa de ser triste ver algumas coisas perderem a sua importância até não serem mais do que uma memória, desprovida de significado ou de emoção. Sobretudo quando se tratam de memórias partilhadas, e apenas para uma das pessoas esse significado se desvanece.



publicado por r. às 08:29 | ligação | comentar

Sexta-feira, 28 de Maio de 2010

(Fotogradia de autor desconhecido)

 

Vinte perguntas. Vinte respostas. Dez irrelevantes. Seis importantes. Três comprometedoras. Uma óbvia, colocada de molde a desviar as atenções das comprometedoras, permitindo-me a exposição sem que ninguém repare. Como um simples jogo de "verdade e consequência". Juro: por vezes é tão fácil que se torna aborrecido.



publicado por r. às 09:16 | ligação | comentar

Quinta-feira, 27 de Maio de 2010

(Fotografia de autor desconhecido)

 

É verdade que a erva é sempre mais verde do outro lado, que não o nosso. Mas quando a única política que nos resta é a da terra queimada, é difícil que seja de outra forma.



publicado por r. às 09:05 | ligação | comentar

Quarta-feira, 26 de Maio de 2010

(Fotograma de Madmen (2007-2010), série de Matthew Weiner)

 

Este blogue faz hoje três meses. Quando o comecei, em Fevereiro, pensava que ele não chegaria à terceira semana. Ou ainda que continuasse, que não seria capaz de manter o ritmo de um artigo por dia. Há-de chegar o momento em que falharei, por distração ou por simplesmente ser incapaz de evitar falhar. Mas enquanto não chega esse dia, o da página em branco, vou continuando. Necessito de continuar. Mas é mais difícil do que imaginava. Por vezes faltam-me as palavras. Na maioria das vezes, faltam-me as imagens. É muito difícil encontrar as imagens perfeitas para ilustrar cada texto. Por vezes, não as encontro de todo; noutras ocasiões encontro-as, mas com fraca qualidade. Que remédio. O ideal era manter o blogue apenas com imagens da série Madmen, como esta, mas infelizmente isso não é possível. Hoje, três meses passados, continuo sem saber quem lê o que aqui deixo, se é que alguém lê o que aqui deixo. Não digo que isso não seja importante, porque é (ou poderia ser), mas não é o mais importante. Escrevo o blogue para mim. Não é um passatempo, um "hobby". É uma necessidade. Que, por bom acaso, me dá algum prazer.



publicado por r. às 09:03 | ligação | comentar

Terça-feira, 25 de Maio de 2010

(Fotograma de Tystnaden (1963), filme de Ingmar Bergman)

 

Entramos na gestão dos silêncios, nas "tentativas" - chamamos-lhes assim na falta de melhor, ou de mais apropriada designação. "Tentativas" não existem: ou falamos abertamente, às claras, ou não falamos de todo. Temos porém a tendência para achar que quem nos rodeia tem o dom da omnisciência, ou que, pelo menos, tem a obrigação de o ter. De saber o que pensamos e como nos sentimos a cada momento. É verdade que também eu gostava de ter quem me entendesse sem ser necessário eu proferir uma palavra que fosse, mas isso é impossível. Se quero que me entendam tenho de me fazer entender. Culpar os outros por não verem o que é óbvio para nós poderia até ser cómico se não fosse trágico.



publicado por r. às 09:15 | ligação | comentar

Segunda-feira, 24 de Maio de 2010

(Fotografia de autor desconhecido)

 

Mas há sítios onde jamais regressaria. Ocorre-me um, pelo menos. Não que tenha sido particularmente infeliz quando de lá saí; mas por qualquer motivo, todas as boas memórias se desvaneceram no momento em que o abandonei, e pouco sobrou que valha a pena recordar. Como se aquele tempo, naquele espaço, fosse nada mais que irrelevante. Ficaram algumas pessoas, poucas, muito poucas - mas essas são mais do que aquele mundozinho fechado e aborrecido. O resto simplesmente não importa.



publicado por r. às 09:00 | ligação | comentar

Domingo, 23 de Maio de 2010

(Fotograma de Six Feet Under (2001-2005), série de Allan Ball)

 

Cruzo-me na rua com um antigo colega de escola. Cumprimentamo-nos, trocamos os dois dedos de conversa da praxe. Diz-me que o senhor L, um antigo professor nosso, faleceu dias antes, por doença. Respondo com qualquer frase seca que choca o meu colega. Não sei o que ele esperava - o nosso antigo professor morreu, mas o facto de ter morrido não o torna numa boa pessoa. Logo ele, invariavelmente amargo, rude, e mal educado para com os alunos, como se estes fossem criaturas jamais dignas do seu respeito. Nunca senti qualquer espécie de apreço por ele; bem pelo contrário, sempre foi uma pessoa que desprezei. Lamento a sua morte, como lamento qualquer morte. Mas não peçam a minha compaixão e o meu respeito na morte para quem nunca tal mereceu em vida.



publicado por r. às 09:19 | ligação | comentar

Sábado, 22 de Maio de 2010

(Fotograma de Taking Sides (2002), filme de István Szabó)

 

A neutralidade é uma boa intenção frequentemente impossível. Por vezes, não é possível não se escolher um lado. Optar por não interferir acaba por implicar uma tomada de posição, ainda que silenciosa e, muitas vezes, um tanto ou quanto inconsciente. Mas a verdade é que ao não interferir, ao optar pelo silêncio, acabamos por ser coniventes com uma das facções. "Quem cala, consente", diz o ditado popular. É um pouco mais ingrato do que isso.



publicado por r. às 09:14 | ligação | comentar

mais sobre mim

Fevereiro 2011
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9



27
28


passado recente

O fim

Os dias do fim (5)

Os dias do fim (4)

Os dias do fim (3)

Os dias do fim (2)

Os dias do fim (1)

A ausência de luz

O controlo

Erro de casting

A memória

passado distante

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

ligações
RSS