Quarta-feira, 30 de Junho de 2010

(Fotograma de Le Mépris (1963), filme de Jean-Luc Godard)

 

Percebes o que quero dizer? A mudança de que te falei revela-se exactamente nessas coisas: na tua permanente desconfiança, na tua falta de paciência para com o mais trivial dos assuntos. Num certo desprezo que assumes para com quem te rodeia. Diria mesmo: num certo complexo de superioridade que, sem motivo aparente, te tomou. Não sei se tens noção disto. Talvez não o tenhas percebido, o que duvido. Mas sei que não será por aqui, ou por mim, que o irás compreender.



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Terça-feira, 29 de Junho de 2010

(Fotograma de V for Vendetta (2005), filme de Larry e Andy Wachowsky)

 

Por vezes desencadeamos uma série de acontecimentos que rapidamente escapam ao nosso controlo, com consequências imprevisíveis. Como se ganhassem vida própria. Há um momento, uma animação suspensa quase, em que temos o poder de mudar isso, em que podemos optar não perder o controlo. Raramente o percebemos; e, por vezes, mesmo quando compreendemos recusamos mudar o rumo dos acontecimentos, que julgamos estar definido. É, afinal, apenas um momento. O único nas nossas vidas em que controlamos o que quer que seja.



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Segunda-feira, 28 de Junho de 2010

(Fotograma de House, M.D. (2004-2010), série de David Shore)

 

A verdade é que todos nós mudamos, seja pelo passar do tempo, constante e inexorável, seja por acontecimentos que nos marcam e que tornam impossível continuar na mesma direcção. Como uma tempestade que devasta o leito de um rio. Dizes-me hoje, com indiferente frieza, o que há um par de anos serias incapaz de me dizer sem desviares o teu olhar dos meus olhos. Olho para ti e vejo a diferença: menos paciência, menos compreensão, um forjar de um carácter e de uma personalidade num confronto impossível de vencer. Reconheço os teus passos, pois também eu os dei. Mas duvido que tenhas a noção do que te espera, a não arrepiares caminho.



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Domingo, 27 de Junho de 2010

(Fotograma de Closer (2004), filme de Mike Nichols)

 

 

Entretanto, vou lendo as mensagens, traduzindo as óbvias entrelinhas. Reparo nas respostas sem questão ou desafio que as preceda. Vejo nos ataques sem provocação que os atice. Sinto as tentativas, fúteis, de magoar fora de tempo. Atento no ressentimento, sempre o ressentimento, o mesmo, o de sempre. Prespassa cada palavra, cada espaço, cada entrelinha cheia de significados. Já sei que não queres nada com a subtileza, e que o objectivo é apenas continuares a guerra por outros meios. A guerra, essa, é o amor. Os outros meios assentam todos no ódio.



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Sábado, 26 de Junho de 2010

(Fotografia de autor desconhecido)

 

Posso dizer com alguma segurança que este blogue, ao longo dos seus quatro meses, foi a única coisa na minha vida a manter uma aparência de ordem e disciplina.



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Sexta-feira, 25 de Junho de 2010

(Fotograma de Where the Wild Things Are (2009), filme de Spike Jonze)

 

Como sempre, é o único refúgio que resta. E é também o melhor, felizmente.



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Quinta-feira, 24 de Junho de 2010

(Fotografia de autor desconhecido)

 

É tudo tão óbvio. Talvez o seja também para os outros. Talvez os outros tenham compreendido que o que importa, neste caso, não é a verdade ou a mentira, mas o acto em si. E talvez tenham, também eles, entrado no acto, assumido o seu papel, agindo como se nada fosse. Como se não soubessem. É improvável, bem sei. Mas não é impossível; e por vezes prefiro acreditar que quem me rodeia compreende e aceita. Antes isso que a cegueira.



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Quarta-feira, 23 de Junho de 2010

(Fotograma de The Straight Story (1999), filme de David Lynch)

 

No fundo, e feitas as contas, é apenas mais uma viagem. Uma que todos, a dado momento, todos temos que fazer. Uma viagem sem destino marcado, sem previsão de tempo ou mesmo de espaço - iremos onde o nosso caminhar nos levar, empurrados pelo acaso. Pode demorar um mês. Um ano. Uma década. Nunca o sabemos no momento da partida; sabemos apenas que não temos alternativa, que temos de nos fazer à estrada. O resto? O resto logo se verá.



publicado por r. às 09:08 | ligação | comentar

Terça-feira, 22 de Junho de 2010

("You do not belong here anymore"; fotografia de Rosie Hardy, aqui. Todos os direitos reservados)

 

Percebo de súbido que não pertenço ali, não completamente, não como pertenci noutro tempo. Ou talvez nunca tenha pertencido. Como se aquelas pessoas que estão comigo, amigos há longos anos, fossem por instantes meros conhecidos. Como se usassem uma linguagem que eu não conheço e que não é suposto eu conhecer. Não foi a primeira vez que o senti. Mas foi a primeira vez que verdadeiramente compreendi o que senti.



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Segunda-feira, 21 de Junho de 2010

(Fotograma de Eternal Sunshine of the Spotless Mind (2004), filme de Michel Gondry)

 

Nunca consegui "apagar" memórias. Penso, é claro, num contexto muito específico: o final de uma relação. Conheço pessoas que, terminada a relação, procuram desesperadamente eliminar todos os vestígios dessa relação. Como a fotografia naquela moldura sobre a mesa de cabeceira. Ou aquele presente insignificante, que teve tanto significado. Ou o bilhete de um espectáculo a que assistiram juntos. Há quem pegue em todos os objectos de alguma forma relacionados com a relação passada e os guarde numa caixa, e guarde essa caixa num qualquer recando poeirento e inacessível no sótão. Há quem vá mais longe, e deite todas as memórias para o lixo, e chegue o lume às fotografias. É, para mim, um exercício tão inútil como fútil: quando uma relação acaba, não resta memória mais poderosa do que a lembraça de dois corpos apaixonados a tocarem-se. E essa memória não pode ser destruída.



publicado por r. às 09:22 | ligação | comentar | ver comentários (2)

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