Segunda-feira, 20 de Setembro de 2010

("Somewhere a Clock is Ticking"; fotografia de granula, no seu deviantArt. Todos os direitos reservados)


Quanto tempo é necessário para esquecermos quem amamos? Pouco tempo, dirão alguns. Muito tempo, dirão outros - meses, por vezes anos. Depende de tanta coisa, no fundo. Há quem diga que nunca esquecemos verdadeiramente quem amamos, que parte desse amor sobrevive à mágoa e ao esquecimento, e fica sempre connosco. Não sei se isto é verdade. Não sei quanto tempo é necessário passar para esquecer quem amamos. Não sei se existe uma regra para isso. Sei que quando temos de esquecer, parece sempre ser demasiado tempo. E sei que, para mim, o tempo que já passou não foi ainda suficiente.



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Domingo, 19 de Setembro de 2010

(Fotografia de autor desconhecido)

 

Podia falar de como nunca conhecemos verdadeiramente os outros, que mesmo aquelas pessoas que nos são mais próximas, tão intimamente próximas, nos guardam segredos que em momento algum imaginaríamos. Podia falar de como nunca ninguém se revela completamente, que há sempre uma parte de nós que permanece na defensiva, hesitante. Podia falar de como por vezes há coisas que, sendo mais ou menos óbvias nos outros, iludem a nossa atenção durante quase todo o tempo. Mas nada direi. Ficarei apenas a pensar no seguinte: após todo este tempo, nem o que de mais elementar escrevo conseguiste compreender.



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Sábado, 18 de Setembro de 2010

(Fotografia de autor desconhecido)

 

O tempo passa, as pequenas engrenagens do relógio continuam a rodar, perfeitamente encaixadas, cada estalido assinalado a passagem de mais um momento. Não pára, o tempo. E esgota-se, esgota-se rapidamente.



publicado por r. às 09:19 | ligação | comentar

Sexta-feira, 17 de Setembro de 2010

("Leaving"; fotografia de Tim Nikias, no No Lights, a sua página pessoal. Todos os direitos reservados.)

 

Nunca devemos ter pena de deixar um lugar onde o nosso valor não é reconhecido. Ou, dito de outra forma: nunca devemos ter pena de deixar alguém que não reconhece o nosso valor.



publicado por r. às 08:46 | ligação | comentar | ver comentários (2)

Quinta-feira, 16 de Setembro de 2010

(Fotograma de Paris, Je T'Aime (2006))

 

 

Não há nada que sobressaia tanto numa multidão como um rosto apaixonado. Pode a multidão inteira ter um sorriso nos lábios, o rosto iluminado de alegria: o olhar apaixonado, indescritível, e aquele sorriso terno, quente, que só se dá a quem se ama continuam a ser únicos e inconfundíveis.



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Quarta-feira, 15 de Setembro de 2010

(Fotograma de Unforgiven (1992), filme de Clint Eastwood)

 

A conversa que tivemos, que tiveste comigo, trouxe-me uma outra à memória, uma conversa antiga que estará perdida na memória de todos os seus intervenientes, excepto na minha. Não me recordo de todas as palavras que foram ditas naquela conversa, mas a memória visual permanece intacta: o momento do dia; o lugar; a posição de cada um de nós, eu de pé, réu diante o juíz, o júri e o carrasco. Recordo-me do tom: agressivo, por momentos cruel, quase sempre impiedoso. Muitos anos passaram já, e, aparências à parte, nunca a esqueci ou perdoei. Duvido que algum dia seja capaz de a perdoar. Tal como a de ontem, em tudo tão tristemente idêntica, tão ironicamente semelhante. Esquecê-la-ás com o tempo; ou, pelo menos, retirar-lhe-ás muito do seu valor. Eu seguirei em frente, também; mas nunca esquecerei aqueles minutos, ou te perdoarei por aquelas palavras.



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Terça-feira, 14 de Setembro de 2010

(Fotograma de Fight Club (1999), filme de David Fincher)

 

É possível que alguns acontecimentos recentes me tenham afectado mais do que julguei, e é também possível que isso se manifeste de formas mais ou menos inconscientes. Mas a verdade é que não me conheces como pensas que conheces. Viste, ao longo dos últimos tempos, um dos meus lados, por acaso o melhor. Conhece-lo bem. Mas não viste tudo. Não viste a minha sombra. Não sabes nem tens forma de saber o que me passa pela mente na maior parte do tempo. Por exemplo, nem imaginas que, enquanto o teu tom de voz se eleva por uma ninharia e por uma comunicação improvável, a minha mente teme algo que, a se confirmar, torna tudo isto por que passamos em algo absolutamente irrelevante. Não que seja isso a estar em causa aqui; apenas te quero relembrar de que não me conheces como julgas, que nem tudo em mim é exactamente aquilo que parece ser. O resto importa muito pouco.



publicado por r. às 09:20 | ligação | comentar

Segunda-feira, 13 de Setembro de 2010

 

Não é que me irrites - não irritas, sabes disso, és uma boa amiga, faço questão de que assim continues. Não te guardo qualquer ressentimento, não teria razão para isso. Acontece apenas que por vezes não consigo evitar o fogo amigo. Nem se trata de ser intencional - conheço pessoas assim, que "descarregam" sobre os ombros dos outros, perfeitamente conscientes do que estão a fazer. Por regra, não o faço; mas há momentos em que é difícil manter a compostura. Sobretudo quando estamos num meio onde de um pequeno erro nasce um grande equívoco.



publicado por r. às 09:36 | ligação | comentar

Domingo, 12 de Setembro de 2010

("Shine Like a Star"; fotografia de Anita Suchocka, no deviantArt. Todos os direitos reservados)

 

A tragédia das ilusões reside apenas num facto: quando elas caem, e elas caem sempre, mais cedo ou mais tarde, a dor que essa queda provoca não é ilusória. É real, demasiado real.



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Sábado, 11 de Setembro de 2010

(Fotografia de autor desconhecido)

 

Todos precisamos de um refúgio. De um sítio onde podemos estar sozinhos. Mais: de um sítio onde podemos sentir-nos bem na solidão. De um sítio com passado, mas sem memórias. De um lugar perdido onde podemos regressar sempre, onde apenas temos a companhia sempre segura de uma ou duas amizades, daquelas raras amizades que não nos cobram o que quer que seja, que sabemos serem capazes de resistir à destruição do mundo, se tal chegar a acontecer. Sinto falta desse meu lugar. Há tanto tempo que lá não vou.



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