Domingo, 31 de Outubro de 2010

(Fotograma de 2001 - A Space Odyssey (1968), filme de Stanley Kubrick)

 

Há momentos em que temos de parar de correr em círculos, sem um propósito definido, sem um caminho concreto a percorrer ou sem uma meta a atingir. Em quem percebemos: há outro caminho. Em que as circunstâncias nos obrigam a improvisar. Podemos racionalizar tudo: não era o caminho certo, era apenas um meio para um fim. Tudo isso são meias verdades. Podemos não saber o que nos espera, ou como vamos percorrer esse outro caminho. Mas paramos de andar em círculos. Isso, por si só, já é um progresso.



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Sábado, 30 de Outubro de 2010

("Rain Light"; fotografia de Bill Sosin, no site mocoloco.com. Todos os direitos reservados)

 

Houve um tempo em que vivia num andar alto, com vista para a cidade; costumava sentar-me no parapeito da janela aberta e olhava para cidade nocturna, para as luzes incontáveis, todas diferentes, que a iluminam. Gostava particularmente da vista quando chovia: com os vidros fechados, embaciados, repletos de gotículas, como cristais; a cidade iluminada esbatia-se em cada um dos pequenos prismas de água, e formava uma vista lindíssima. Gosto muito do sítio onde vivo hoje, mas nas noites chuvosas ainda sinto saudades da cidade difusa diante os meus olhos.



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Sexta-feira, 29 de Outubro de 2010

("Jump Away", fotografia de autor desconhecido. Todos os direitos reservados)

 

O que nos consome não é da decisão da queda, ou o impacto final e subsequente destruição. O que nos consome é a antecipação. É toda a cadeia de acontecimentos - de pensamentos - que se inicia a partir do momento em que saltamos para o vazio.



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Quinta-feira, 28 de Outubro de 2010

(Fotografia de autor desconhecido)

 

Apostamos tudo. Não sabemos porquê. Não temos um bom jogo, temos a certeza disso. Talvez nem tenhamos um jogo razoável. Não conseguimos fazer bluff, nunca conseguimos, nunca tivemos jeito para tal arte. Também não temos uma excepcional autoconfiança. Mas apostamos tudo, olhamos uma última vez para a nossa mão e colocamos todas as fichas na mesa. Entregamo-nos à sorte, sabendo que a vitória nos aliviará e a derrota nos empurrará para o desespero. Mas não agimos já sob esse desespero quando decidimos apostar tudo o que temos?



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Quarta-feira, 27 de Outubro de 2010

(Fotografia de autor desconhecido)

 

Se há sentimento que não suporto, é a esperança. Abomino o optimismo irracional que ela impõe sobre qualquer tentativa de pessimismo cauteloso, ou até de simples realismo racional. Há poucas coisas tão perigosas como a esperança: só ela nos pode levar a acreditar no impossível, retirando-nos a rede de protecção quando mais precisamos dela. E desaparece no inevitável momento da queda, deixando para trás apenas um enorme vazio, tão vasto quanto a distância que nos separa, desprotegidos, do chão.



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Terça-feira, 26 de Outubro de 2010

(Fotografia de autor desconhecido)

 

Oito meses. Há momentos em que tenho vontade de dizer. De gritar: estou aqui. De colocar de parte o jogo de sombras chinesas, de baixar a cortina e tornar a acender as luzes. De permanecer debaixo dessa luz, à vista de quem quiser ver. De dar sentido a todas as histórias, a todas as razões. Mas depois penso: a viagem começou por tua causa e apesar de ti; e ainda que já não a (me) vejas ou possas ver, é importante para mim continuar. Não prolongo o que já não existe; limito-me a agarrar a única coisa boa que escapou ao desastre.



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Segunda-feira, 25 de Outubro de 2010

(Fotograma de Dexter (2006-2010), série de James Manos, Jr.)

 

Escondemo-nos numa vida banal, refugiamo-nos nas rotinas para mantermos, diante o mundo, uma aparência de normalidade. É uma encenação cuidada: perante quem não nos conhece bem, mantemos o sorriso, repetimos duas banalidades, fazemos meia dúzia de alusões. Junto de quem nos conhece bem, e que não cai na mentira mais básica, contamos uma ponta da história, mudamos-lhe o rumo, abrimos um final diferente. Nunca compreendi se nos damos ao trabalho para que os outros não compreendam quem nós somos, ou se vamos tão longe apenas e só para evitarmos ver em quem nos tornámos.



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Domingo, 24 de Outubro de 2010

("In Between Storms"; fotografia de autor desconhecido)

 

Há momentos em que este blogue me parece tão depressivo que dou por mim a pensar: o título devia ser "locus horribilis" e não "locus amoenus".



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Sábado, 23 de Outubro de 2010

(Fotografia de autor desconhecido)

 

Não deixa de ser triste perdermos lugares que, por qualquer motivo, foram importantes para nós, que marcaram momentos da nossa vida. Olharmos para o banco do jardim, outrora viçoso, onde aconteceu o primeiro beijo e vê-lo abandonado. Vermos encerrado aquele sítio onde íamos vezes sem conta, onde passávamos horas a namorar. Perdermos o lugar que frequentávamos com os nossos amigos, como um ritual sagrado. Ou aquele campo onde brincávamos em crianças. Há sempre um vestígio de mágoa quando os nossos lugares especiais se tornam estranhos. Como se uma parte de nós também ficasse definitivamente perdida para lá da vedação de rede, dos portões trancados, dos muros altos.



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Sexta-feira, 22 de Outubro de 2010

(Imagem de autor desconhecido)

 

Conversávamos. Sentia, provavelmente também o sentirias, que estava qualquer coisa errada. Que havia um outro assunto, importante, óbvio, praticamente inevitável, de que devíamos falar, mas que nunca, por um momento, abordámos. Como um elefante na sala, impossível de não se reparar nele.



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