Terça-feira, 30 de Novembro de 2010

(Fotograma de Citizen Kane (1941), filme de Orson Welles)

 

Tenho este texto em arquivo desde os primeiros dias deste blogue, por não conseguir encontrar a imagem que queria para o ilustrar. A que encontrei não é exactamente aquela que pretendia, mas serve. É retirada do melhor filme de sempre: Citizen Kane, de Orson Welles (1941). Sobre o filme, poderia fazer um blogue inteiro, mas vou centrar este texto apenas num dos seus inúmeros detalhes. Existe em Citizen Kane um tema que considero importante, mas que, tanto quanto sei, raramente é explorado, apesar de estar relacionado com o tema principal. A espaços, é exibida uma sucessão de cenas que mostram como a relação de Charles Kane com a sua esposa perdeu a sua razão de ser, e de como a euforia inicial deu lugar a um frio e ressentido distanciamento. A verdade, e aqui já não falo do filme, é que não é necessária uma vida inteira para uma relação cair daquela maneira; por vezes, alguns meses apenas bastam para que o frio se instale e que o silêncio ensurdecedor de duas pessoas que já nada têm a dizer uma à outra seja a única forma de comunicação que se conhece. É exactamente essa ideia que Welles, nas entrelinhas, me transmitiu de forma tão marcante.



publicado por r. às 09:30 | ligação | comentar

Segunda-feira, 29 de Novembro de 2010

(Fotografia de autor desconhecido)

 

A inevitabilidade das coisas, por si só, não elimina as verdades mais dolorosas.



publicado por r. às 09:26 | ligação | comentar | ver comentários (2)

Domingo, 28 de Novembro de 2010

("Tram 26"; fotografia de José Manuel Antunes, no seu blogue pessoal. Todos os direitos reservados)

 

Hoje, caminhamos pelas mesmas ruas e não o sabemos. Imaginamos como seria um reencontro que jamais terá lugar. Pensamos em inúmeras possibilidades impossíveis. Vemos na nossa mente caminhos que nos foram vedados, por nós mesmos. Há tanto tempo. Sem surpresas: fechámos todas as portas com estrondo, e fizemos questão de perder todas as chaves que as poderiam abrir. Hoje, quando caminhamos pelas mesmas ruas, pensamos em nós e ficamo-nos pelo que fomos: o que poderíamos ter sido, como sempre, pertence ao domínio da ficção.



publicado por r. às 10:29 | ligação | comentar

Sábado, 27 de Novembro de 2010

(Fotograma de The Social Network (2010), filme de David Fincher)

 

Li hoje algures que, em média, cada pessoa tem cento e trinta "amigos" no Facebook. Fazendo as contas por alto, diria que, na minha vida, há mais ou menos 30 pessoas que consideraria amigas, com quem estou regularmente ou, pelo menos, com quem gostaria de estar mais vezes. No Facebook, o número de pessoas na minha lista tem três vezes este valor, entre conhecidos e colegas (não necessariamente "amigos"). E por vezes parece-me excessivo. Não sei se me interessa ter oitenta ou noventa pessoas a saber alguma coisa a meu respeito. E não consigo compreender as pessoas cujas listas oscilam entre as quatrocentas e as quatro mil. Não sei se isso quererá dizer alguma coisa. Mas imagino que, fora do mundo virtual onde tudo é tão fácil, se as minhas amizades verdadeiras juntas perfizessem uma multidão, a solidão que sentiria seria terrível.



publicado por r. às 09:13 | ligação | comentar

Sexta-feira, 26 de Novembro de 2010

(Fotografia de autor desconhecido)

 

Há coisas que o tempo torna mais fáceis; mas outras há que ficam mais difíceis a cada dia que passa. Quando assim é, aquilo que antes era natural e espontâneo passa a exigir um esforço consciente, uma disciplina que não nos era de todo familiar. Não será também por isso que desistimos; apenas temos de nos mentalizar de que não podemos ter tudo ao mesmo tempo, sobretudo sem sacrificarmos algo.



publicado por r. às 09:27 | ligação | comentar

Quinta-feira, 25 de Novembro de 2010

(Fotografia de autor desconhecido)

 

Da mesma forma que há coisas que nunca se esquecem, também há coisas que nunca ficam resolvidas. Não em absoluto. Por mais conversas que se tenha, por mais racionalizações que se façam, a estranheza subsiste, a dúvida, aquele "porquê" surdo que ecoa nos nossos ouvidos quando o silêncio se instala. Não podemos ter todas as respostas.



publicado por r. às 08:59 | ligação | comentar

Quarta-feira, 24 de Novembro de 2010

(Imagem de autor desconhecido)

 

O mundo é suficientemente grande para nele nos perdermos, mas não é grande o suficiente para conseguirmos evitar ser encontrados quando menos queremos e por quem menos desejamos. O mais curioso é que esta ideia até poderá fazer mais sentido se, em vez de "o mundo", dissesse "a vida".



publicado por r. às 09:26 | ligação | comentar

Terça-feira, 23 de Novembro de 2010

(Fotograma de Notting Hill (1999), filme de Roger Michell)

 

Se a vida fosse como os filmes, como em tempos pensei que poderia ser, o silêncio não teria triunfado sobre nós. Alguém, ou alguma situação, teria quebrado o gelo. Teríamos falado. Talvez casualmente, de início, pura conversa de circunstância, ainda que por momento algum desprovida de intenções. Teríamos olhado um para o outro, teríamo-nos visto. Não nos teríamos contentado com dois, três, vários olhares furtivos. Mas já não se fazem filmes como antigamente.



publicado por r. às 09:33 | ligação | comentar

Segunda-feira, 22 de Novembro de 2010

("Sailing stones"; fotografia de autor desconhecido)

 

Não sei se o que realmente importa é o destino, se o caminho que percorremos para lá chegar. Sei que os nossos destinos mudam ao sabor das marés; sei que escolhemos com estranha frequência o caminho errado, se tomarmos como plausível a ideia de que existe um "caminho certo"; e sei que no final, feitas as contas, destino ou caminho importam muito pouco - como, de resto, não importa se caminhamos ou permanecemos imóveis indefinidamente. A verdade é difusa, mas a existir uma é esta: o sentido da vida é o mais puro "non-sense".



publicado por r. às 08:52 | ligação | comentar

Domingo, 21 de Novembro de 2010

(Fotograma de Reservoir Dogs (1992), filme de Quentin Tarantino)

 

Há momentos em que a crueldade, mais do que inevitável, é irresistível.



publicado por r. às 09:45 | ligação | comentar

mais sobre mim

Fevereiro 2011
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9



27
28


passado recente

O fim

Os dias do fim (5)

Os dias do fim (4)

Os dias do fim (3)

Os dias do fim (2)

Os dias do fim (1)

A ausência de luz

O controlo

Erro de casting

A memória

passado distante

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

ligações
RSS