Sexta-feira, 31 de Dezembro de 2010

(Fotografia de Chris Watt. Todos os direitos reservados)

 

Festejar a mudança de ano não tem lógica. Poderíamos dizer o mesmo de praticamente todas as celebrações, é certo. Mudar de ano significa apenas isso: passar de um ano para o outro. Há muitas coisas que podem mudar, como se costuma dizer, da noite para o dia, mas o ano novo é apenas um acontecimento de calendário. A vida segue o seu curso, indiferente à data. Poderia dizer que o ano que agora termina não deixa saudades: seria verdade, de certa forma, mas o que não deixa saudades foi um ou outro episódio que ocorreram durante este período de tempo. Não existe lógica na celebração.

 

Mas também é verdade que nem sempre podemos ser lógicos. Bom Ano Novo.



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Quinta-feira, 30 de Dezembro de 2010

("Banana Skin Mugging"; fotografia de Craig Sparks, no EyeFetch Photos. Todos os direitos reservados)

 

Filme da minha vida: ver a armadilha à distância, ainda no momento em que ela está a ser montada. Seguir o meu caminho. Saber que cairei nela se não me desviar. Não me desvio. Há momentos assim: conseguimos compreender uma acção e toda a sequência lógica de consequências que ela trará, mas nem por isso procuramos evitá-la. Não por sermos incapazes de o fazer, mas simplesmente porque não o queremos fazer. Porquê? Essa é a parte que escapa à lógica.



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Quarta-feira, 29 de Dezembro de 2010

(Fotograma de Inception (2010), filme de Christopher Nolan)

 

As pessoas que defendem que as crises proporcionam as oportunidades (ou ideias análogas) esquecem-se frequentemente de que, durante as crises, gastamos a maioria do tempo a tentar não submergir nelas, e não a procurar oportunidades. Estas surgem, sim, mas a coincidência tem nesta ocorrência um papel preponderante. Tornar o mau em bom, ou pelo menos em promissor, não está ao alcance de todos; diria mesmo que é algo que só uma mão-cheia de pessoas consegue fazer de forma racional. Para a maior parte dos comuns mortais, tornar o mau em bom importa muito pouco no momento (é no momento que tudo importa, afinal); conseguir colocar o mau para trás das costas por dois minutos é já um alívio tremendo.



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Terça-feira, 28 de Dezembro de 2010

(Fotograma de House M.D. (2004-2010), série de David Shore)

 

Há coisas que só fazem sentido muito tempo depois. Não precisamos de reflectir sobre elas: há um momento em que elas nos regressam à mente, fora de qualquer contexto, sobre elas incidindo uma luz diferente que nos permite vê-as de outra forma, entendê-las finalmente por aquilo que de facto significavam. Talvez aquele momento antigo tenha sido um lapso, e talvez aquele pensamento tenha sido fugaz, momentâneo. Mas o mero facto de ter existido significa que tem um fundo de verdade, raízes mais ou menos profundas que não deixam de estar lá por serem ignoradas durante a maior parte do tempo.



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Segunda-feira, 27 de Dezembro de 2010

(Fotografia de autor desconhecido)

 

É curioso que só raramente ajo para com os outros de acordo com os meus humores. Alterno com frequência entre a alegria e a melancolia (e entre vários estados intermédios): a alegria faz-me falar e divertir-me, a melancolia vira-me para a introversão e para o silêncio. É por regra fácil intuir qual é o meu humor presente, mas quando é negativo raramente o projecto em alguém. Tendo a manter tudo cá dentro: os outros nada têm que ver com isso, e tão pouco considero justo descarregar sobre alguém a minha frustração ou mesmo a minha fúria por algo que não lhes diz respeito. Por isso mesmo sempre fui incapaz de suportar quando sou eu o alvo de mudanças de humor alheias.



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Domingo, 26 de Dezembro de 2010

("Barbed wire"; forografia de Britta Lamberty)

 

À medida que o fim se aproxima, dou por mim numa encruzilhada: parte de mim quer seguir a ideia inicial, fazer o último esforço, cumprir o plano original à risca, sem falhas - concluí-lo, encerrar o capítulo, seguir em frente. Mas outra parte de mim afeiçoou-se àquela rotina, ao desafio que paradoxalmente ela me apresenta a cada dia, e deseja mantê-la por mais tempo, enquanto tal for possível. O problema reside aí: o "enquanto possível" pressupõe uma falha, uma inevitável falha que irá ocorrer mais cedo ou mais tarde. Nenhuma decisão na vida é fácil, bem sei; mas não esperava que esta fosse tão difícil.



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Sábado, 25 de Dezembro de 2010

("Lonely Christmas"; fotografia de Lindsay Huffman, no flickr. Todos os direitos reservados)

 

É possível a solidão quando em nosso redor podemos ver tanta gente? Sim. É perfeitamente possível. Até no Natal.



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Sexta-feira, 24 de Dezembro de 2010

(Fotograma de Mad Men (2007-2010), série de Matthew Weiner)

 

Há aquele ditado famoso que diz que à mulher de César não basta ser séria, é também preciso parecer séria. É curioso como este dizer não pode ser invertido: de pouco serve aparentar-se uma seriedade que não se possui. Ou talvez sirva para enganarmos quem nos rodeia no mais imediato presente. Mas como à mulher de César a seriedade não será suficiente por si só - a aparência é também necessária -, também a nós a aparência, sozinha, não é suficiente. É necessário algo que lhe dê substância. E é precisamente isso que, por vezes, é tão difícil de encontrar.



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Quinta-feira, 23 de Dezembro de 2010

(Fotograma de Where the Wild Things Are (2009), filme de Spike Jonze)

 

Ainda assim, e apesar de algumas coisas que parecem estar ao nosso alcance estarem, na verdade, bem longe das nossas possibilidades (e vice-versa), aquilo que julgamos ser-nos impossível é, regra geral, impossível de facto. E que não se confunda "impossível" com "fora do alcance", pois o segundo depende frequentemente de critérios secundários, como o tempo ou o espaço. Claro que, enquanto regra, também esta tem excepções, visto também aqui a força aleatória da vida se fazer sentir. A verdade é que não existe auto-estima e força de carácter suficiente para tornar todos os sonhos em realidade. Muitos deles,porventura a maioria, jamais serão mais do que isso mesmo: sonhos.



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Quarta-feira, 22 de Dezembro de 2010

(Fotografia de autor desconhecido)

 

Nada na vida assenta em estatísticas, probabilidades ou equações de complexidade variável. Não é por isso viável procurar-se uma explicação para o que nos acontece num formulário, numa folha de cálculo. A vida é apenas aleatória, puramente arbitrária, desde o seu início ao seu fim. Todos os seus números vêm depois.



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