Segunda-feira, 31 de Janeiro de 2011

(Fotografia/fotograma de autoria e origem desconhecidas)

 

Hoje, como ontem, continuo a não ter qualquer resposta. Não as posso ter: hoje, como ontem, continuo a não saber que questões perguntar.



publicado por r. às 09:21 | ligação | comentar

Domingo, 30 de Janeiro de 2011

(Fotografia de autor desconhecido)

 

Há momentos que têm tudo para correr bem. O que não vemos é que esses momentos também têm, quase sempre, tudo para correr mal. Como se costuma dizer, o diabo está nos detalhes - e tantas são as circunstâncias em que basta uma pequena coisa falhar para tudo o resto se desmoronar como um castelo de cartas.



publicado por r. às 10:48 | ligação | comentar

Sábado, 29 de Janeiro de 2011

(Fotograma de The Night of the Hunter (1955), filme de Charles Laughton)

 

A decisão falhou apenas parcialmente, diria. Não terá sido intencional, o erro, e foi rapidamente corrigido. O que me intriga neste caso é precisamente aquilo que tal erro (mínimo) me fez sentir. Não esperava sentir aquela alegria quando me apercebi do erro, e muito menos esperava sentir uma vaga desilusão quando me apercebi da natureza de tal erro. Como se dentro de mim, bem lá no fundo, sobrevivesse ainda uma pontinha de esperança por algo que não tornará a acontecer. De certa forma, este episódio acaba por ser uma lição: não adianta iludir-me com o presente, pois ainda me resta um longo caminho a percorrer.



publicado por r. às 09:47 | ligação | comentar

Sexta-feira, 28 de Janeiro de 2011

(Fotograma de Pulp Fiction (1994), filme de Quentin Tarantino)

 

Há uma cena famosa no filme Pulp Fiction, de Tarantino (já aludi a ela aqui), na qual Mia e Vincent estão por um momento calados, à mesa de um restaurante. Mia quebra o silêncio ao falar justamente do silêncio desconfortável. Diz ela que o silêncio desconfortável é a forma de se descobrir que se encontrou alguém especial: quando duas pessoas podem simplesmente apreciar o silêncio juntas. É verdade que, por vezes, o silêncio entre duas pessoas é ensurdecedor, e a sua presença tão desconfortável fala - grita, até - por todos os sentimentos que não encontram palavras para se exprimirem. Mas o silêncio desconfortável também pode por vezes ser o inverso, e ser apenas isso: um silêncio desconfortável, que não fala de sentimentos, que não encerra significados. É apenas silêncio, e limita-se a ser tudo o que há entre duas pessoas que poruma qualquer circunstância estão juntas, mas que nada têm a dizer uma à outra.



publicado por r. às 09:26 | ligação | comentar

Quinta-feira, 27 de Janeiro de 2011

(Fotografia de autor desconhecido)

 

É verdade, mas apenas uma meia verdade. Por vezes não existe qualquer heroísmo no acto de resistirmos. Apenas teimosia. É certo que nos dias que correm se desiste (desistimos) com muita facilidade de tudo, mas nem sempre é sensato aguentarmos tudo. Em muitas circunstâncias, diria mesmo que esse será o caminho mais rápido para a nossa desintegração.



publicado por r. às 09:14 | ligação | comentar

Quarta-feira, 26 de Janeiro de 2011

("Time is ticking"; fotografia de Dorien Colemans, no flickr. Todos os direitos reservados)

 

Gostava de que, findo o tempo, fosse claro o caminho a seguir, houvesse a certeza de encontrar algo. Talvez não haja nada a encontrar. Ou talvez não tenha passado tempo suficiente. De certa forma, receio o vazio que inevitavelmente se instalará de seguida, o quebrar de uma das últimas rotinas que me liga a um mundo que há muito deixou de me pertencer. O tempo passa, e isso é inalterável. Talvez nunca seja o tempo certo para mudar, mas se assim é, então é possível que mudar no tempo errado não seja necessariamente um erro.



publicado por r. às 09:22 | ligação | comentar

Terça-feira, 25 de Janeiro de 2011

(Fotografia de autor desconhecido)

 

A auto-depreciação só funciona com quem por qualquer motivo se sente inferior a nós em algo - mesmo que esse sentimento seja inconsciente. Perante alguém que nos é obviamente superior, a auto-depreciação é apenas ridícula. Para eles e para nós.



publicado por r. às 09:33 | ligação | comentar

Segunda-feira, 24 de Janeiro de 2011

("Pigeon Point Lighthouse"; fotografia de Andrew, no flickr. Todos os direitos reservados)

 

Acender a luz é um gesto tão simples e tão elementar nas nossas vidas que o fazemos de forma automática: a nossas mãos procuram o interruptor sem que pensemos nisso. No normal decurso dos nossos dias, não pensamos em tudo aquilo que nos é possível apenas por causa de um gesto tão insignificante, e de algo, a electricidade, que se tornou tão natural para nós como a luz do Sol ou o chão que pisamos. É só no momento em que há uma falha de energia que percebemos a extraordinária importância daquilo que demos por adquirido. Como em tudo na vida, o momento da perda consegue abolir todas as percepções daquilo que perdemos. Desse momento em diante, estamos a lidar com e realidade nua e crua. E ela é tão escura por vezes.



publicado por r. às 09:09 | ligação | comentar

Domingo, 23 de Janeiro de 2011

("The edge of twilight"; fotografia de autor desconhecido)

 

Estamos um para o outro como o dia está para a noite. Com a diferença de que até entre o dia e a noite existe o crepúsculo, o momento efémero em que ambos se aproximam. Entre nós, não existe crepúsculo. Apenas o vazio.



publicado por r. às 09:10 | ligação | comentar

Sábado, 22 de Janeiro de 2011

(fotografia de mattis the cool cat, no tumblr. Todos os direitos reservados)

 

Podia fazer o mesmo. Podia decidir: não o tornarei a fazer; e se não o conseguir naturalmente, obrigar-me-ei a nunca mais tornar a fazê-lo. Talvez não fosse tão difícil quanto isso, tomar tal decisão. Mas seria inútil. Não esquecemos o que passou apenas por abandonarmos os hábitos mais antigos enquanto para isso for necessário submetermos a nossa vontade e os nossos impulsos. Esquecer não pode ser um acto de consciência, de força de vontade. Se for, então até o acto de não pensarmos será doloroso.



publicado por r. às 09:19 | ligação | comentar | ver comentários (2)

mais sobre mim

Fevereiro 2011
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9



27
28


passado recente

O fim

Os dias do fim (5)

Os dias do fim (4)

Os dias do fim (3)

Os dias do fim (2)

Os dias do fim (1)

A ausência de luz

O controlo

Erro de casting

A memória

passado distante

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

ligações
RSS