Sexta-feira, 21 de Janeiro de 2011

(Fotografia de autor desconhecido)

 

Estamos condenados a vasculhar os destroços da vida em busca de algo que seja ainda possível resgatar. Não de algo que nos ajude a recuperar o que já tivemos em tempos; mas que nos ajude de alguma forma a seguir em frente, a reconstruir.



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Quinta-feira, 20 de Janeiro de 2011

("Ant communication"; fotografia de Alexander Wild, em Alex Wild Photography. Todos os direitos reservados)

 

Quando nos falta o "instinto social", estabelecemos relações com quem nos rodeia na base da tentativa e do erro. É um processo difícil e longo - talvez mesmo interminável. É assim que conhecemos muitas das pessoas que fazem parte das nossas vidas: por aproximações e afastamentos, sempre a apalpar terreno, a conhecer os limites estabelecidos. É, também por isto, um processo arriscado, por tornar tão fácil ferir os outros, ou por passar de nós uma imagem errada. Mas em muitas situações, é a única forma que temos de nos relacionarmos.



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Quarta-feira, 19 de Janeiro de 2011

("Space Passing Time"; fotografia de Alexander James, na sua página pessoal. Todos os direitos reservados)

 

Passou um ano. É curiosa a nossa percepção do tempo. No imediato, temos a sensação de que passa devagar. O ponteiro dos minutos parece estar parado. As horas arrastam-se. Os dias parecem não ter fim. Mas ao dilatarmos o intervalo, a nossa percepção altera-se radicalmente. As semanas passam quase sem darmos por elas, mesmo quando cada dia parece estático. Os meses sucedem-se, alucinantes. E quando por acaso abrimos os olhos, vemos que se passaram anos em vertigem, e damos por nós a pensar: para onde foi o tempo? Parece que ontem ainda éramos crianças, não parece?

Passou um ano. Um ano é muito tempo. Um ano passa a correr. Mas agora que penso nisso, não sei se este ano passou depressa ou devagar. Talvez porque a mágoa subsiste, e enquanto assim for, todo o tempo do mundo será irrelevante.



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Terça-feira, 18 de Janeiro de 2011

("Untitled-3"; fotografia de Steve Poxson, no flickr. Todos os direitos reservados)

 

É difícil conviver diariamente com alguém que, fossem outras as circunstâncias, não olharia para nós duas vezes. É difícil passar todos os dias inúmeras horas com alguém que não nos conhece, e que por sua vontade não nos teria em momento algum conhecido. É difícil pensar que, um dia, os nossos passos seguirão caminhos diferentes, e que aquela pessoa que tanto tempo passou connosco não se irá lembrar de nós quando a nossa sombra desaparecer na curva do caminho.



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Segunda-feira, 17 de Janeiro de 2011

("If only I could turn back time"; fotografia de Jenny Stone, no flickr. Todos os direitos reservados)

 

Talvez haja ainda tempo para fazer o tempo recuar, para reverter a percepção do erro cometido. Necessito de o fazer o quanto antes. Não que o erro deixe de o ser; não deixa, e o eco de todas as evidências perdurará. Mas talvez seja ainda possível, se me permitem a paráfrase, enganar algumas pessoas durante algum tempo, ainda que não reste qualquer forma de me enganar a mim.



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Domingo, 16 de Janeiro de 2011

(Fotografia de autor desconhecido)

 

Penso na tua resolução, estranha mas não desprovida de sentido, e concluo que talvez tenhas razão. Talvez seja tempo de colocarmos um fim à hostilidade silenciosa que perdurou durante todo este tempo. Talvez seja tempo de pousarmos as armas e descansarmos. De abraçarmos enfim a nossa perda. Sabia, antes mesmo de tudo isto ter começado, que a derrota seria inevitável. Não venci pelas palavras. Não triunfei pelo silêncio. Talvez a vitória não esteja simplesmente ao meu alcance. De qualquer maneira, é com cansaço que olho para a barricada. É tempo de descer dela. É tempo de encontrar paz.



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Sábado, 15 de Janeiro de 2011

(Fotografia de autor desconhecido)

 

Ainda é muito cedo para dizer, até para tentar adivinhar. Não sei se 2011 vai ser um ano bom, ou mau. Mas tenho a certeza, sem precisar de grande adivinhação, que vai ser um ano de grande mudança. Se a mudança será positiva ou negativa está ainda por ver. Mas nestes dias de Janeiro parece-me já ser inevitável.



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Sexta-feira, 14 de Janeiro de 2011

("Fire dying out"; fotografia de Rachel Nuwer, no Picasa. Todos os direitos reservados)

 

Devias saber que o rasto de destruição do amor não se esgota no momento em que se diz "acabou". Há sempre dois momentos: aquele em que duas pessoas se dissolvem perante si mesmas; e aquele em que cada uma dessas duas pessoas deixa definitivamente a memória da outra no passado. Estes dois momentos são separados por tempo, por vezes por muito tempo; e durante esse tempo vivemos entre os impulsos das rotinas que trazíamos e o vazio diante nós. A curiosidade, na sua faceta mais mórbida, impõe-se frequentemente; não conseguimos não pensar na outra pessoa, e procuramos saber dela mesmo quando já a temos como perdida. É quase sempre um impulso, mais forte do que nós: sabemos que nos magoa, como caminhar sobre um braseiro, mas não o podemos evitar.



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Quinta-feira, 13 de Janeiro de 2011

("Siena Shadow"; fotografia de zac doob na sua página pessoal. Todos os direitos reservados)

 

Todos os dias, a sombra. E não tenho a certeza do que é pior nela: se quando as suas palavras são cuspidas em fúria, ou se quando são proferidas numa falsa cordialidade. Suspeito de que seja a segunda.



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Quarta-feira, 12 de Janeiro de 2011

(Imagem de autor desconhecido)

 

Há dias que funcionam por reacção em cadeia. Começa algo a correr mal, e, uma por uma, cada outra coisa desaba de seguida. Um pouco como uma reacção nervosa (talvez seja também uma reacção nervosa), um pouco como um dominó a cair sequencialmente, cada queda a precipitar a pedra seguinte. Há dias em que toda a boa disposição do mundo não nos salva.



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