Quarta-feira, 16 de Fevereiro de 2011

(Fotografia de autor desconhecido)

 

O verbo implicar, regular, intrasitivo e intransigente, conjuga-se normalmente entre uma primeira e uma segunda pessoa, no presente do indicativo da mesquinhez e, em alguns casos, da crueldade. Pode por vezes assumir uma forma reflexa, sobretudo quando o complemento indirecto não é o responsável pelo complemento circunstancial que qualifica o predicado. Faz-se quase sempre acompanhar por um complemento circunstancial de insistência, sobretudo da parte da primeira pessoa, que podendo ser singular ou plural, está quase sempre na voz activa. A segunda pessoa tem também número variável, mas está invariavelmente na voz passiva.



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Terça-feira, 15 de Fevereiro de 2011

(Fotografia de autor desconhecido)

 

Explicam-me que o optimismo, o "pensamento positivo", é uma questão de atitude que podemos desenvolver com o tempo. Acredito que seja. O problema é que, nessa teoria, não consigo perceber onde termina o tal "pensamento positivo" e começa a auto-ilusão. Pois é exactamente a partir desse ponto que o optimismo se torna incomparavelmente mais perigoso que o pessimismo. O copo não fica meio cheio só porque o preferimos ver assim.



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Segunda-feira, 14 de Fevereiro de 2011

(Fotograma de El Laberinto del Fauno (2006), filme de Guillermo del Toro)

 

Se as nossas escolhas erradas podem estar afinal certas - e se aquilo que tantas vezes nos parece correcto está na verdade errado - como podemos nós saber como agir, qual o próximo passo a dar? No fundo, talvez não exista um caminho certo, e tudo se resuma a uma série de escolhas que fazemos aleatoriamente, com um propósito muitas vezes velado.



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Domingo, 13 de Fevereiro de 2011

(Fotograma de The Wrestler (2008), filme de Darren Aronofsky)

 

Por vezes, não necessitamos de esperar muito para saber se estamos certos ou errados. Um breve momento é tempo mais do que suficiente para aparecer alguém a fazer a prova dos nove por nós, melhor do que nós alguma vez a faríamos.



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Sábado, 12 de Fevereiro de 2011

(Fotograma de filme desconhecido)

 

É tão fácil no presente falar para o passado sobre um futuro que nunca aconteceu.



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Sexta-feira, 11 de Fevereiro de 2011

(Fotograma de 300 (2006), filme de Zack Snyder)

 

Claro que é compreensível: por natureza, o ser humano tem um grande problema com a verdade. Causa-lhe engulho, nada a fazer. É por isso mais fácil, como se costuma dizer, matar o mensageiro. Claro que isso nada muda; o mensageiro, como aliás, o nome indica, era apenas o mensageiro. Dele não era o poder de mudar alguma coisa, de inverter o rumo dos acontecimentos, de fazer a guerra parar - apenas de entregar a mensagem.



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Quinta-feira, 10 de Fevereiro de 2011

(Fotograma de Doubt (2008), filme de John Patrick Shanley)

 

Nunca entenderei as pessoas que afirmam, cheias de convicção, ser muito sinceras e preferirem a verdade em qualquer situação, para se encolherem quando alguém decide agir de acordo com esse princípio e mostrar-lhes a verdade absoluta - a tal que elas diziam preferir, nua e crua, sem espinhas.



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Quarta-feira, 9 de Fevereiro de 2011

("Beach Closed"; fotografia de Daniel Willans, no flickr. Todos os direitos reservados)

 

Devíamos parar para pensar com maior frequência. Devíamos ter mais atenção aos detalhes. Que nem toda a gente seja dada ao pessimismo, não só aceito como saúdo. Mas mesmo do optimismo à ingenuidade vai uma distância por vezes considerável. Não é por nos dizerem que está tudo bem que, de facto, está tudo bem; a simplificação é quase sempre boa conselheira, mas também comete os seus erros. Não é saudável ficarmos a remoer problemas que podem estar resolvidos, ou que já deviam estar resolvidos; mas ignorar os sinais de perigo com base em palavras que podem ser desprovidas de sentido pode ser igualmente fatal.



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Terça-feira, 8 de Fevereiro de 2011

(Fotograma de Mad Men (2007-2011), série de Matthew Weiner)

 

Como nos filmes, também a vida por vezes nos apresenta enredos previsíveis, tão previsíveis que conseguimos calcular, com margem de erro mínima, não só o desfecho como também todos os passos que serão dados até esse ponto. Acaba por ser sempre uma observação curiosa, ainda que triste: vermos alguém caminhar para o abismo e sabermo-nos incapazes de impedir a queda.



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Segunda-feira, 7 de Fevereiro de 2011

(Fotografia de autor desconhecido)

 

É talvez a minha mais antiga ilusão: pensar que, apesar de tudo, seria possível recuperar por completo uma amizade após uma relação amorosa, ou até que seria possível essa amizade fazer esquecer o que em tempos houve. Não é, nunca é: há memórias que permanecem, feridas que não saram; mesmo que não sintamos dor, mesmo que queiramos ignorar as memórias, há sempre algo, uma barreira muito ténue, entre nós e a outra pessoa. A amizade pode regressar e ser sincera, mas será sempre uma sombra ou da amizade que foi, ou da amizade que poderia ter sido. Poucas emoções são tão absolutas como o amor, que não permite qualquer meio-termo: ou é tudo, ou é nada, e quando é nada, o caminho que se segue é feito sempre sobre os destroços. Podemos falar com a outra pessoa, sair com ela rirmos juntos com gosto; mas sabemos sempre que, lá bem no fundo, houve algo que se perdeu e que jamais será recuperado. A verdade é que nunca deixamos de amar quem amámos, pois há uma bocadinho desse amor que fica para sempre, como um espinho debaixo da pele; e se assim é, jamais uma amizade poderá ser inteira e descomprometida.



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