Segunda-feira, 21 de Junho de 2010

(Fotograma de Eternal Sunshine of the Spotless Mind (2004), filme de Michel Gondry)

 

Nunca consegui "apagar" memórias. Penso, é claro, num contexto muito específico: o final de uma relação. Conheço pessoas que, terminada a relação, procuram desesperadamente eliminar todos os vestígios dessa relação. Como a fotografia naquela moldura sobre a mesa de cabeceira. Ou aquele presente insignificante, que teve tanto significado. Ou o bilhete de um espectáculo a que assistiram juntos. Há quem pegue em todos os objectos de alguma forma relacionados com a relação passada e os guarde numa caixa, e guarde essa caixa num qualquer recando poeirento e inacessível no sótão. Há quem vá mais longe, e deite todas as memórias para o lixo, e chegue o lume às fotografias. É, para mim, um exercício tão inútil como fútil: quando uma relação acaba, não resta memória mais poderosa do que a lembraça de dois corpos apaixonados a tocarem-se. E essa memória não pode ser destruída.



publicado por r. às 09:22 | ligação

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