Terça-feira, 24 de Agosto de 2010

(Fotografia de autor desconhecido)

 

Lembras-te daquela tarde? Chovia. Abrigámo-nos da chuva torrencial debaixo de um toldo verde e gasto, à porta de uma loja que, hoje, ninguém já frequenta. Eu e tu, juntos, sob o toldo e a chuva. Chovia muito. Noutro tempo, talvez a chuva não fosse incómoda. Talvez nos tivéssemos beijado à chuva. Nunca o fizemos (outra promessa nunca cumprida). Naquele dia não demos sequer as mãos. Estavam frias, as minhas. Como nós. Sabíamos já da nossa derrota; e aquele breve momento em que nos abrigámos da chuva em silêncio permitiu-nos compreender a distância que já então nos separava. Ontem, voltou a chover. O cheiro da terra molhada cobriu a cidade. Sempre me fez sentir bem, a terra molhada; mas desta vez aquele cheiro tão agradável trouxe consigo uma nota de tristeza. Senti a tua falta, ontem, mais do que em qualquer outro dia. E, mais do que qualquer outra coisa, lamentei tanto nunca te ter beijado à chuva.



publicado por r. às 09:11 | ligação | comentar

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